11.04.2018

Biohacking: a prática que você precisa entender.

Em 1995, Hollywood produzia um clássico cult e de “Sessão da tarde”: Hackers. Nele, a atriz Angelina Jolie, ainda novata, interpretava uma jovem inteligentíssima e muito safa, que lutava contra governos e corporações usando o computador e a internet, sempre citando o Manifesto Hacker, escrito por um dos primeiros a se intitular com o termo, em 1986. Naquela época, a rede de computadores aqui no Brasil ainda engatinhava e a aventura pelos bits e websites era quase tão fantasiosa quanto os filmes de ficção conseguem ser. No mesmo ano do lançamento do filme, porém, Kevin Mitnick seria preso e condenado por invadir dezenas de redes particulares de computadores, ganhando acesso a informações confidenciais e protegidas. Rapidamente, a palavra “Hacker” passaria a aparecer sempre na mídia ligada a ações fora da lei por fenômenos intelectuais, geralmente de bem pouca idade, quebrando sistemas de segurança digital de governos e grandes empresas. Demorariam anos para, mais tarde, em 2012, Mark Zuckerberg publicar uma carta, na ocasião da abertura de capital do Facebook, intitulada “The Hacker Way”. Nela explicou o que ele considerava um Hacker, desmistificando a conotação pejorativa do termo e classificando-o como uma atitude indispensável para a cultura da sua empresa.

Durante algum tempo, a cultura Hacker ficou restrita a tecnologia da informação, computadores e internet. Porém, recentemente, temos visto a expansão dessa comunidade por outros campos, dando origem ao nosso assunto de hoje: o Biohacking. Após algum tempo, inventores e curiosos estão adentrando o campo das ciências da vida, antes restrito a meios acadêmicos e gigantes biofarmacêuticas e do agronegócio. Mesclando uma atitude DIY (Do it yourself) com a cultura maker, muita curiosidade e vontade de inovar, além de rápida curva de aprendizado, os Biohackers estão transformando seus quartos e garagens em laboratórios nos quais experimentam com genética, bioengenharia, microbiologia e o que mais atiçar a imaginação. Para eles, vale a máxima pintada na parede do escritório do Facebook: Feito é melhor que perfeito.

Durante uma das edições do Biomaker Battle, desafio científico idealizado pela Biominas Brasil de projetos e pesquisas em ciências da vida, conseguimos ver um perfeito exemplo de como podemos emular equipamentos caros e complexos com materiais baratos e acessíveis. Um microscópio possui uma lógica de funcionamento relativamente simples, datada de séculos atrás, mas mesmo assim um modelo com qualidade pode custar até alguns milhares de reais hoje. Retornando ao básico, com muita criatividade e consciência de qual a função primordial que o equipamento precisa desempenhar, presenciamos em minutos um dispositivo ser construído do zero, com recursos simples, a um custo bem inferior. Com alguns pedaços de isopor e uma webcam, a equipe do entusiasta biohacker Fernando Limoeiro hackeou um microscópio, que pode muito bem ser usado eficazmente na grande maioria das situações encontradas em laboratório, sem perda de função. E esse é apenas um dos vários hacks que Limoeiro e companhia fazem acontecer em seu clube de Biohacking!

A 2ª rodada do BioStartup Lab também contou com outra startup que leva o biohacking como mote principal: a Chronos Personal Health. Ampliando o conceito de Biohacking, estão os Grinders, pessoas que acreditam que a tecnologia pode ser utilizada para ampliar limites do próprio corpo, usando próteses e implantes! Pode parecer radical, mas a Chronos quer usar este conceito para inovar no monitoramento do nível de glicose no sangue de pacientes de diabetes. Usando um implante que mede em tempo real a concentração de glicose no sangue, é possível realizar um controle mais fino das variações, diminuindo assim os perversos efeitos crônicos da doença. Os resultados do monitoramento são enviados diretamente para o smartphone do usuário, que registra as alterações bruscas e antecipa o tratamento, sem ter de esperar o aparecimento dos primeiros sintomas. A empreendedora atrás da startup, Natália Paixão, também liderou sua equipe na edição da competição iGEM, competição internacional de engenharia de sistemas biológicos organizada pelo Massachussets Institute of Technology (MIT). Torcemos por eles!

Quer ler a matéria completa? Acesse ela na íntegra no blog da Biominas, clicando aqui.

 

Por: Guilherme Marinho | Coordenador de Projeto de Biotecnologia SEDECTES – Secretaria de Estado de Desenvolvimento Econômico, Ciência e Tecnologia e Ensino Superior.
Biólogo com MBA em Recursos Humanos e MSc em Biotecnologia. Acredita na inovação como ferramenta crucial para a melhoria sustentável e harmoniosa da qualidade de vida. Faz o possível e o impossível para aumentar o impacto de uma biotecnologia. Longe do escritório ou do laboratório, está sempre na fila da frente de um bom show ou roendo as unhas em jogos do Atlético.