16.03.2018

Como aplicar de maneira prática o seu conhecimento acadêmico?

Quando se fala em conhecimento acadêmico e experiência profissional, é comum observar opiniões divergentes sobre o que seria mais importante para a carreira. Entretanto, justamente por serem complementares, conhecimento acadêmico e experiência profissional devem ser valorizados durante a formação.

Confira também um artigo que aborda mais sobre o tema Vida Acadêmica versus a Experiência Profissional.

Nos últimos tempos, o mercado de trabalho tem se tornado ainda mais exigente, demandando dos profissionais maior nível de especialização. Nesse sentido, a busca e atualização de conhecimentos devem ser constantes para acompanhar as tendências de mercado e não se tornar ultrapassado.

No entanto, a formação acadêmica não substitui a experiência. É muito comum vivenciarmos situações em nosso dia a dia em que apenas os conhecimentos teóricos não são suficientes para resolver problemas, sendo preciso recorrer aos aprendizados adquiridos em experiências anteriores ou até mesmo à intuição. Entretanto, deve-se sempre pensar em buscar novos conhecimentos, pois a atualização periódica de conteúdo compreendem ações fundamentais para um profissional de destaque em qualquer área. Tendo em vista o dinamismo do mercado, o desenvolvimento de novas habilidades e incorporação de novas tecnologias que possam aprimorar ou até mesmo substituir técnicas e processos usuais são sempre necessários e se tornam possíveis pela aplicação do conhecimento acadêmico na medida em que a prática demanda.

O método científico compreende uma sequência de ações e metodologias que devem ser empregadas para se responder determinada pergunta. Essa metodologia é utilizada por cientistas de todas as áreas do conhecimento e para diversos autores nada mais é que lógica aplicada à ciência. De acordo com GIL (2008, p.8), o método científico pode ser definido como “um conjunto de procedimentos intelectuais e técnicos adotados para se atingir o conhecimento”, sendo então empregado para se se alcançar determinados objetivos. Tendo em vista esse conceito, não seria este raciocínio semelhante ao de uma empresa ao traçar os objetivos estratégicos para determinado período? Ou quando deseja testar a aceitação um novo produto ou serviço no mercado? Portanto, o raciocínio lógico é igualmente importante para a academia e para a prática no mercado de trabalho.

Embora a formação acadêmica e a prática profissional sejam complementares, ainda existe uma grande distância entre o ambiente acadêmico e as empresas de um modo geral. Entre as causas dessa distância pode-se destacar a divergência existente entre as necessidades das empresas e o que é produzido pelas universidades. Nesse ponto, destaca-se o “despertar estratégico” de algumas universidades e pesquisadores em direcionar suas pesquisas para uma demanda específica do mercado. Isso é capaz de atrair investimentos, acelerar processos de desenvolvimento e prover aproximação da academia às empresas. Além disso, tem se intensificado cada vez mais as ações empreendedoras dentro das universidades. O surgimento de diversas startups e empresas que nasceram de pesquisas de mestrado e doutorado mostra que é possível, sim, transformar o conhecimento acadêmico, muitas vezes tido como algo distante da sociedade, em um produto de grande funcionalidade e aceitação no mercado.

Se você quer empreender confira aqui algumas dicas do que não fazer.

Entretanto, vale ressaltar que ainda são insuficientes os incentivos para maior aproximação entre esses dois atores. É claro que existem excelentes exemplos de sucesso como, por exemplo, a criação de parques tecnológicos que buscam aproximar e desenvolver as relações entre as universidades e empresas. Contudo, ainda é preciso romper a barreira existente entre esses dois ambientes, o que contribuirá não só para estreitar as relações entre produção acadêmica e empresas como também para o desenvolvimento científico e tecnológico do nosso país.

Confira aqui como levar sua pesquisa acadêmica para o mercado.

Fonte: GIL, A. C. Métodos e técnicas de pesquisa social. 6. ed. São Paulo: Atlas, 2008.

Por: Aline Brito de Lima
Bioquímica (UFSJ), mestra em Ciências da Saúde (UFSJ) e doutoranda em Genética (UFMG). Pesquisadora na área de oncologia e CEO da CELLtype.