29.03.2018

Educação Empreendedora: Conexão Virtuosa entre Ciência e Negócios

As Instituições de Ensino Superior brasileiras devem ser espaços relevantes de preparação, estímulo, conexão e acolhimento ao empreendedorismo, promovendo o desenvolvimento social e econômico por meio da Ciência. Para tanto, devem estimular a Educação Empreendedora e assumir papel de protagonismo no Ecossistema de Empreendedorismo e Inovação.

A relação das Instituições de Ensino com o Empreendedorismo ainda é tímida, todavia. Pesquisa realizada pelo SEBRAE e Endeavor, em 2016, acerca do “Empreendedorismo nas Universidades Brasileiras”, identificou um cenário pouco estimulante às atividades empreendedoras:

  • apenas 38,78% das universidades participantes da pesquisa (70 instituições brasileiras) possuem iniciativas relacionadas ao empreendedorismo, como disciplinas específicas, eventos de fomento e incubadoras de empresas;
  • de forma geral, não há práticas institucionalizadas, nas instituições de ensino superior, para estimular o desenvolvimento de soluções inovadoras para o mercado e a criação de novos negócios. O que se vê (quando se vê), na maior parte dos casos, são iniciativas pontuais conduzidas por alguns docentes, mas que geralmente produzem pouco impacto (justamente por serem isoladas);
  • os promotores do empreendedorismo nas universidades estão, em grande parte, desconectados do ecossistema empreendedor local, e também não possuem – ou jamais possuíram – experiências profissionais empreendedoras (46%). Destes, mais de 50% afirmaram que suas únicas iniciativas empreendedoras estiveram relacionadas a serviços de consultoria.

O que se vê, pois, é que as instituições de ensino superior não estão a cumprir o seu papel como elementos-chave no ecossistema de empreendedorismo e inovação. Consequências diretas deste fato são estudantes e profissionais despreparados para empreender, além da natureza pouco inovadora dos negócios criados no Brasil.

Esta situação pode – e deve, urgentemente – ser modificada. Obviamente não se trata de tarefa fácil, dada a complexidade do problema. Eis algumas provocações e inspirações práticas, neste sentido:

  • Investimentos no desenvolvimento do corpo docente: visitas técnicas a Centros de Inovação, Parques Tecnológicos, Espaços de Fomento ao Empreendedorismo e Inovação, Startups e Empresas Inovadoras (no Brasil e fora do país); participação em Programas de Empreendedorismo, com foco no desenvolvimento de Competências Empreendedoras; reconhecimento e recompensa de projetos empreendedores que apresentem bons resultados práticos;
  • Mapeamento e socialização de práticas bem sucedidas de Educação Empreendedora promovidas por docentes, com foco na posterior institucionalização de tais práticas;
  • Inclusão de Projetos Práticos de Empreendedorismo nas matrizes curriculares dos cursos superiores: estímulo à proposição objetiva de soluções técnicas e científicas para os problemas diariamente vivenciados nas sociedades brasileira e global;
  • Associação das instituições de ensino superior a entidades que estimulam o empreendedorismo no Brasil, tais como Aceleradoras de Empresas, Incubadoras, Espaços de Coworking, Laboratórios Maker, Serviços de Apoio aos Negócios, Centros de Referência em Empreendedorismo e Gestão, Parques Tecnológicos e Grupos de Investidores;
  • Utilização de metodologias ativas de educação, que promovam o desenvolvimento de soft skills e competências empreendedoras, ao colocar os estudantes como protagonistas de seu processo de aprendizagem;
  • Utilização de tecnologias digitais na educação, promovendo, desde cedo, a conexão dos estudantes e professores com ferramental técnico contemporâneo e relevante às atividades empreendedoras.

Quer se tornar uma pessoa mais empreendedora? Confira aqui uma discussão sobre vida acadêmica e empreendedora e conheça algumas dicas para começar.

As Instituições de Ensino Superior brasileiras possuem enorme potencial humano e científico para impactar, positivamente, o desenvolvimento social e econômico do país. A educação empreendedora, neste particular, pode acionar tal potencial, estabelecendo uma conexão virtuosa entre Ciência e Negócios, e posicionando as Universidades como elementos fundamentais de um Ecossistema de Empreendedorismo e Inovação.

Por: Fabiano Birchal

Atuação nas áreas de Inovação, Desenvolvimento de Pessoas, Empreendedorismo, Estratégia
de Negócios e Educação. Professor de Pós-Graduação no Centro Universitário UNA e UNIBH; Professor na
Escola de Formação Gerencial do SEBRAE; Partner na “iconee”; e no “Impact HUB Belo Horizonte”.
Líder do Grupo de Educadores Google em Belo Horizonte (GEG BH), possui larga experiência nas áreas de
Educação, Gestão, Consultoria e Mentoria para Empresas.