04.02.2016

Foi dada a largada: BioStartup Lab inicia a aceleração de 21 startups

Alto-astral, inspiração e curiosidade. Estas são palavras que descrevem bem a Welcome Session da primeira rodada do programa de pré-aceleração do BioStartup Lab. O evento contou com uma keynote inspiradora do químico, pesquisador e empreendedor Rochel Lago, show de mágica e a presença de autoridades e parceiros comprometidos em fazer o programa acontecer.

A tarde da última quarta-feira, dia 27 de janeiro, em Belo Horizonte, começou com uma forte pancada de chuva, daquelas típicas do verão brasileiro, que duram apenas quinze minutos e surpreendem por lavar a alma de muita gente desprevenida.

Vista de dentro do coworking do BioStartup Lab, a chuva (de tão forte) formava uma cortina branca que impedia enxergar a paisagem das casas do bairro Santa Inês. Este fenômeno servia como uma boa desculpa para puxar o assunto e começar uma tímida conversa entre pessoas que acabaram de se conhecer. Muita gente de Minas, de BH, mas também de São Paulo e do Rio. Eram os empreendedores que tiveram suas ideias e projetos selecionados para participar da primeira iniciativa no Brasil especialmente focada em apoiar a transformação de ideias em negócios na área de ciências da vida.

Esquecendo a chuva e olhando para dentro da sala, muitos detalhes chamavam a atenção de quem chegava. Era uma sala sem barreiras, leve e com cores que não se costuma ver todo dia. “Tem um palco”; “tem escaninhos, será que posso já colocar minha bolsa?”; “olha, salas de reunião”, “uma copa!”, são frases que certamente passavam pela mente de todos na medida que exploravam o lugar.

Na mente da equipe do programa as frases eram outras: “chegou o grande dia”, “nem dá para acreditar que eles estão aqui”, “vai dar tudo certo”, “que chuva é essa?”. A equipe que estava devidamente uniformizada com suas camisas azuis que traziam em letras garrafais o lema “INSPIRE” tinha trabalhado duro nos últimos dois anos. Foram pelo menos um ano de desenvolvimento e seis meses de execução para chegar até aquele momento.

A programação não demorou muito para começar. Uma dinâmica logo no início quebrou o gelo e botou todo mundo para conversar. A chuva já não era mais necessária para conduzir a conversa, tanto é que ninguém mais se lembrava dela.

Pronto! Pontos de conexão foram feitos, assuntos em comum surgiram, perguntas e respostas iam reforçando o clima de curiosidade geral. As pessoas falavam mais alto, gesticulavam e gargalhadas vez ou outra ecoavam. Pareciam que, enfim, conseguiram romper a barreira e colocaram toda euforia para fora.

Toda essa euforia deu trabalho para a equipe voltar a ter o controle do grupo. “Deu certo!”. Dinâmica finalizada, todos (enfim) sentados novamente. Então, foi a hora de receber as boas-vindas. Palavras institucionais que ressaltaram a importância do BioStartup Lab como catalisador para transformar ideias em bons negócios foram trazidas pelo Eduardo, presidente da Biominas e pelo Anízio, gerente do Sebrae. Nada de formalidades ou textos decorados. Falaram o que sentiram e aproveitaram para parabenizar quem havia chegado até ali: “se estão aqui, é porque merecem, é porque demonstraram o potencial de vocês, é porque foram selecionados”. Palavras amigas também vieram do Fabio, assessor da FIEMG e da Glaucia, gerente do BDMG.

Eduardo, Anízio, Glaucia e Fábio

O Fabio até tentou antecipar o tema do empreendedorismo e o traduziu como o movimento em que “pessoas comuns podem fazer coisas extraordinárias”. Se estas palavras provocaram interrogações, todas elas foram respondidas em seguida. Em poucos minutos de fala, Rochel conquistou a todos. Todos ali passaram a ser ou se tornarão um pouco mais seus fãs. Ele inspirou os empreendedores com as histórias de sua trajetória dentro da universidade, da criação da sua startup e do seu desejo de deixar um legado para o mundo: “o meu desejo de empreender vem muito de ter um impacto no mundo e cumprir minha missão”.

Rochel

Os desafios, a insegurança e os obstáculos citados por Rochel no início da sua trajetória empreendedora eram os mesmos de todos ali naquela sala e Rochel os venceu. “Se ele conseguiu, eu também posso”. Rochel mostrou propósito e um sentido para estar ali e fazer parte daquele programa e daquele momento. Rochel deu o tom. “Start, começamos!”

Em seguida, um momento surpresa. Um rapaz de pouca idade subiu ao palco e sem muitas apresentações, deu o play no vídeo. O vídeo o mostrava em apresentações em um monte de programas de TV, em vários países. Eram apresentações de mágica, isso mesmo mágica! Naquele momento, ninguém encontrava conexão possível. Um balão azul com o mapa mundi que estava o tempo todo no fundo da sala ajudou a revelar ainda o segredo: “vamos ter um show de mágica agora, mas isso não faz sentido nenhum”.

Henri

“Faz sim”. Henri mostrou para o que veio e com muitos truques tocou em vários assuntos: empreendedorismo, sonhos e ideais. Click! Fez todo o sentido. A mágica lhe permite ser tudo aquilo que você quiser ser, o BioStartup Lab também. Como lembrou o Rafa, coordenador do programa, o BioStartup Lab é um programa de aprendizado, “seu foco não está nas empresas, mas sim no mindset das pessoas”.

Abracadabra! Hora de acordar do sonho. O BioStartup Lab já é uma realidade e esse foi só o primeiro dia.

BioStartup Lab

Trajetória

Em dezembro, o BioStartup Lab encerrou as inscrições com mais de 500 empreendedores concorrendo a uma vaga na primeira rodada do programa. O programa foi lançado no último mês de setembro na ocasião do primeiro Minas Startup Week e do evento eXchange Sebrae, realizados em Belo Horizonte. Depois, percorreu mais duas capitais brasileiras: Rio e São Paulo. No Rio, marcou presença na BIO Latin America, principal evento latino americano para a promoção de negócios e parcerias no setor de ciências da vida. Em São Paulo, esteve presente na CASE, evento totalmente voltado para startups e que contou com a participação de mais de 4.500 empreendedores. Além disso, o BioStartup Lab, realizou 10 eventos que impactou diretamente mais de 500 pessoas, entre eles o primeiro Startup Wekend Biotech do mundo.

Toda esta visibilidade tornou o processo seletivo muito concorrido com a participação de projetos vindos de 93 cidades, de 6 países e de 54 instituições de pesquisas, diferentes. Ao final, foram selecionadas 21 startups nas quatro áreas de atuação do programa: saúde humana, digital health, meio ambiente e agronegócio. Entre elas, está a Oncotag, startup mineira, primeira spin-off da Fundação Ezequiel Dias que busca tornar o tratamento de câncer mais individualizado por meio da criação de um painel de marcadores biológicos. Outro exemplo é o da Betri Studio, startup de São Paulo, que vai desenvolver jogos digitais que replicam os exercícios do tratamento de fonoaudiologia para crianças.

Independente do setor, no BioStartup Lab, todas as startups têm um mesmo propósito: resolver um problema atual da sociedade e melhorar as condições de vida das pessoas.