02.03.2017

Como construímos a melhor iniciativa de empreendedorismo inovador do país

O BioStartup Lab está prestes a causar o TERCEIRO IMPACTO! A ansiedade de iniciar mais uma rodada e a vontade de que tudo dê certo, nos faz pensar na história que começamos a construir a pouco mais de um ano. Relembrar a nossa própria história e pensar em todos os obstáculos que já vencemos, nos dá força e vontade de continuar ajudando empreendedores a transformarem suas ideias em negócios.

O BioStartup Lab é uma iniciativa da Biominas Brasil e do Sebrae Minas, que desde 2016, conta também com a parceria estratégica do Governo de Minas. O programa recebeu o Prêmio Nacional de Empreendedorismo Inovador de 2016, na categoria “Melhor Projeto de Promoção da Cultura do Empreendedorismo Inovador”. Dentro da Biominas Brasil, uma instituição privada que tem atuação nacional e internacional e que há mais de 26 anos promove negócios de impacto no setor de ciências da vida – tendo apoiado ou investido neste período em mais de 100 empresas.

Em 2014, a Biominas e o Sebrae realizaram um diagnóstico que demonstrou claros sinais de uma desaceleração empreendedora e inovativa no setor de ciências da vida em Minas Gerais, que é o segundo estado brasileiro em concentração de empresas deste setor. Em dez anos, o número de empresas caiu três vezes e o número de empresas com mais de sete anos praticamente dobrou. Alguns dos fatores identificados para isso, foram o longo período de desenvolvimento deste tipo de negócio e o fato de que bons projetos apresentam problemas de viabilidade, ou seja, no modelo de negócios.

 

Em 2015, com o objetivo de transformar este cenário, o BioStartup Lab nasceu. O programa tangibilizou o propósito de diversificar o ecossistema de inovação no Brasil – fortemente concentrado na criação de startups digitais e ligadas às áreas de TI – e acelerar o surgimento de startups com DNA científico, dando impulso ao processo criativo e a modelagem daqueles que querem transformar suas ideias ou suas pesquisas em novas soluções para as áreas de saúde humana, digital health, saúde animal, agronegócios e meio ambiente.

Hoje, o BioStartup Lab é uma iniciativa com repercussão nacional e internacional, tendo recebido inscrições de projetos vindas de dezoito estados brasileiros e de nove países. Em pouco mais de um ano de atividade, acumulou mais de 6 mil contatos em rede, mais de 1.800 pessoas impactadas com eventos, mais de 1.200 inscrições de empreendedores e pesquisadores, mais de 400 startups avaliadas e seleção de 63 delas, 21 para cada edição. Neste período, as inscrições de projetos já recebidas foram realizadas por pessoas ligadas a mais de 130 instituições de ensino e pesquisa, entre elas as brasileiras USP, UFMG e Fiocruz e estrangeiras como Stanford e Singularity University.

 

Cases

O programa vem colecionando vários casos de sucesso. A Fófuuu é um deles. A startup de São Paulo chegou ao programa com apenas uma ideia e, atualmente, desenvolve jogos digitais que ajudam pais e médicos a engajar crianças aos exercícios de fonoaudiologia. A startup ganhou o Prêmio Empreenda Saúde 2016 realizado pela multinacional Everis e terminou 2016 captando investimento-anjo.

 

Outro case é a Oncotag, uma startup formada por pesquisadoras que desenvolve um painel de marcadores moleculares que conecta o paciente com câncer ao tratamento correto. A Oncotag é a primeira spinoff da Fundação Ezequiel Dias, foi uma das vencedoras do InovAtiva Brasil de 2016 e foi contemplada no Prêmio do Grupo Fleury de Inovação.

 

A Nanobiotec, por outro lado, é uma startup de agronegócio oriunda de pesquisas realizadas no CT Nanotubos da UFMG e está levando ao mercado nanotecnologias capazes de gerar um fungicida para uma agricultura mais eficiente e mais sustentável. A Nanobiotec submeteu e teve um projeto aprovado para receber um grant da multinacional Bayer e também foi escolhida entre as TOP 500 do mundo pela iniciativa francesa Hello Tomorrow.

 

Outras startups q têm sido reveladas pela mídia especializada, como é o caso da startup Proteo, um alimento gelado à base de whey protein ideal para quem precisa fazer reposição de proteínas, que foi destaque em matéria especial da Revista Pequenas Empresas & Grandes Negócios de outubro de 2016.

 

A fórmula

A fórmula criada para que o BioStartup Lab possa dar vida a histórias como estas está traduzida no lema “inspirar, engajar, acelerar e impactar”.

O programa foi pensado de tal modo que na fase de prospecção há uma busca por equipes com uma ideia, uma pesquisa científica, um projeto em fase de teste ou com uma startup recém-lançada ao mercado para a seleção de um conjunto de 21 delas que passam por uma jornada de dez semanas na qual têm a oportunidade de construir um modelo de negócio lógico, validá-lo e construir a melhor estratégia para executá-lo junto ao mercado: seja na forma de uma startup, uma spinoff ou uma parceria de inovação aberta com grandes empresas.

O programa é totalmente gratuito e livre de equity (não exige participação acionária nos negócios que participam ou são criados) e, durante o processo, os participantes contam com uma metodologia de aceleração construída de maneira específica para trazer o modelo da startup enxuta para um setor tão complexo como o de ciências da vida, além de uma equipe de especialistas dedicada (com membros de formação técnica e de negócios), mentoria e validação com grandes empresas e conexão com investidores.

IMG_6988

O BioStartup Lab foi projetado para oferecer espaço de coworking (escritório compartilhado) e acesso facilitado a laboratórios de prototipagem rápida, o que tem sido possível por meio de parcerias construídas com os Laboratórios Abertos do SENAI (nove em todo o país) e o FAB Lab do Centro Universitário Newton Paiva. Outra vantagem é que o programa acontece no ambiente da Incubadora de Empresas HABITAT, que é referência há mais de 19 anos no desenvolvimento de empresas do setor de ciências da vida, tendo apoiado mais de 50 empresas que hoje acumulam mais de R$ 1,7 bilhão em receitas. Este foi um dos grandes diferenciais e também um dos grandes acertos, pois permite a convivência e a troca de aprendizados entre empreendedores de diferentes gerações e acesso a infraestrutura especializada.

Resultados

Para que o programa atingisse seu objetivo foi preciso formar uma ampla rede de parceiros da qual participam grandes empresas como Google, Natura, Hospital Albert Einstein e FIAT que apoiam na validação e mentoria das startups, além de diversos fundos de investimento que participam das bancas de avaliação.

Estas parcerias potencializaram o programa para que alcançasse resultados ainda maiores. Hoje, o BioStartup Lab é um celeiro de startups e novos negócios para aceleradoras e incubadoras de empresas. Cerca de metade das startups participantes se conectaram a quatro aceleradoras de startups entre elas o InovAtiva Brasil, aceleradora do Governo Federal (que em 2016 recebeu oito startups do BioStartup Lab), a GroWbio, aceleradora da Biominas Brasil e o SEED, aceleradora do o Governo de Minas. Além disso, as startups também se conectaram a sete incubadoras de empresas localizadas em Minas Gerais, São Paulo, Rio de Janeiro, Rio Grande do Sul e Bahia.

O conjunto de startups aceleradas também já apresentam resultados em vendas. A soma de vendas realizadas ou já negociadas pelas startups participantes ultrapassou R$ 1,5 milhão em 2016 e o destaque nesse sentido vai para a startup Arkemds, que desenvolve um conjunto sensores e um software de engenharia clínica capaz de gerar dados para a precisão no monitoramento da qualidade e manutenção corretiva de equipamentos em hospitais. Em 2016, as vendas cresceram 20% ao mês e a startup foi contratada pela Unimed-BH, uma das grandes empresas com quem os empreendedores se relacionaram durante o programa.

O BioStartup Lab também fez história com suas maratonas de empreendedorismo que geralmente acontecem durante a fase de prospecção e buscam unir ciência, cultura startup e movimento maker. O programa realizou a primeira edição do mundo de um Startup Weekend focado em biotecnologia e uma competição científica inédita no Brasil, chamada Biomaker Battle. Juntas, estas maratonas contribuíram para a formação de 27 startups. Muitas delas com forte potencial de impacto social, como é o caso da OpenHands, uma startup formada por estudantes de engenharia que desenvolve sensores capazes de devolver a sensação de toque para usuários de próteses de baixo custo e a Iara, startup formada por estudantes do Departamento de Química da UFMG que desenvolve um sistema capaz de dar acesso à água limpa para comunidades em situações climáticas críticas ou em estado de calamidade pública, como o que acometeu recentemente a cidade de Mariana em Minas Gerais. Hoje, parte da equipe da Iara está na África do Sul em uma missão que tem o objetivo de avaliar aplicações do sistema no trabalho de ONGs que atuam no continente.

Ineditismo

Por meio do Biostartup Lab, foi possível realizar ações inéditas no ecossistema de empreendedorismo brasileiro, como os dois primeiros eventos de DemoDays do País exclusivos para a revelação de startups de base científica. As duas edições contaram com uma audiência de mais de 400 pessoas entre representantes de grandes empresas, fundos de investimento e clientes.

Foi possível também construir o Círculo de Investidores do programa que já conta com quinze fundos e clubes de investidores-anjo conectados e interessados em aumentar as operações de investimento em ciências da vida. No Círculo, é possível destacar a presença da Inseed Investimentos que, no final do ano passado, selecionou três startups do BioStartup Lab para participar do seu programa de preparação para o investimento (o INBATE). Além disso, com foco no corporate venture, durante a BIO Latin America Conference (principal evento de negócios de ciências da vida da América Latina), foi realizado o BioStartup Lab ARENA que conectou e colocou as startups cara-a-cara com fundos de investimentos e grandes empresas de diferentes setores como BRF Foods, Ourofino, Fleury, Roche e Abbott por meio de uma competição de pitches.

Inovação aberta e investimento

E seguindo uma tendência global das iniciativas de inovação aberta por meio da qual grandes corporações se aproximam das aceleradoras de startups para ter acesso facilitado a soluções (produtos, serviços) e negócios promissores, trabalhamos para lançar a terceira edição do programa com novidades, transformando-o em uma plataforma capaz de entregar valor a grandes empresas. Na medida em que o BioStartup Lab se conecta a uma grande quantidade de startups e conta com metodologia que apoia os novos empreendedores a evoluir o seu modelo de negócio, ele cria condição para que as startups respondam a uma demanda existente ou se posicionem como um parceiro potencial para explorar novas oportunidades de mercado. Este tipo de conexão entre startup e grandes empresas, inclusive, colabora para diminuir os riscos do negócio, sobretudo, no que diz respeito à avaliação de investidores.

Portanto, uma conquista recente do programa foram o anúncio da Unimed-BH, uma das maiores operadoras de saúde do País, e o Grupo Hermes Pardini, um dos três principais laboratórios do Brasil em volume de análises e em faturamento, como empresas-âncoras, ou seja, empresas patrocinadoras que dão ritmo à rodada, se envolvem mais ativamente do desenvolvimento das startups, acompanham de perto a modelagem do negócio, apoiam a validação dos produtos e serviços e, inclusive, participam do processo de seleção de startups em suas áreas de interesse.

Além disso, por meio do Desafio Biominas Brasil-SENAI, programa passou a oferecer a possibilidade de investimento misto em até R$ 400 mil por startup. A parceria permite que cada real investido por um parceiro (uma grande empresa ou um fundo de investimento, por exemplo) nas startups selecionadas seja automaticamente dobrado com recursos de fomento do Edital Inovação da Indústria para serem investidos no desenvolvimento e na execução dos novos negócios.

DCIM107GOPRO

Com tudo isso, esperamos que o Terceiro Impacto, e os próximos que virão, continuem colaborando com o ecossistema de startups de ciências e com o desenvolvimento de soluções inteligentes para problemas que enfrentamos na nossa sociedade.

Que comece o #BSL03!